Crescer no improviso é o que destrói empresas promissoras

Crescer no improviso é o que destrói empresas promissoras

Vanessa Wedekin
Vanessa Wedekin 12 Nov 2025

Boas-vindas às novas pessoas que chegaram por aqui nesta semana. Você está lendo um conteúdo para líderes e equipes que já perceberam que “vender muito” não significa “crescer bem” — e que previsibilidade não nasce do acaso, nasce de método.

RESUMO PRA QUEM TÁ NA CORRERIA
👉 O custo invisível do improviso comercial: tempo, margem, moral e reputação.
👉 Por que “mais vendedores” raramente é a resposta — e como direção corrige antes de headcount.
👉 Os sinais precoces de desorganização (e como mensurar em 10 dias).
👉 A engenharia mínima de previsibilidade: pipeline legível, critérios por etapa e rituais de cadência.
👉 Perguntas/práticas para começar hoje — sem reformar tudo de uma vez.
👉 Um convite: toda virada começa com clareza (e com um primeiro experimento).

Fala, BiUPPER.

Toda empresa promissora tem um momento em que o volume de oportunidades cresce mais rápido do que a capacidade de organizá-las. Por fora, parece uma fase gloriosa — leads chegando, time atendendo sem parar, orçamento girando. Por dentro, a sensação é outra: urgências se empilham, follow-ups se perdem, descontos viram alívio emocional, e o gestor passa a maior parte do dia explicando o óbvio. É aqui que a narrativa da “agilidade” costuma se confundir com a realidade do improviso. Funciona por um tempo. Depois, começa a cobrar juros.

O problema do improviso comercial não é só operacional; é econômico. Sem método, o custo do resultado sobe e a previsibilidade desaba. Vende-se mais ao preço de estourar margem, alongar prazos, cansar pessoas e comprometer a confiança do cliente. É o tipo de crescimento que não se repete, porque depende do humor do dia, da boa vontade de quem “resolve” e de exceções que viram regra. Quando a empresa se dá conta, criou um sistema onde o herói é celebrado e o processo é opcional — e, nesse ambiente, o herói cansa antes do trimestre acabar.

“Não é o mercado que te trava, é a falta de método.”

Essa frase dói porque é simples e verdadeira. Em cenário bom, a desorganização desperdiça oportunidade; em cenário ruim, ela acelera a queda. E é por isso que a resposta padrão — “vamos contratar mais vendedores” — raramente resolve. Multiplicar pessoas num processo opaco multiplica a confusão. Direção vem antes de headcount.

Vamos colocar lupa no custo invisível do improviso, porque ele se disfarça bem. Primeiro, custo de tempo: cada vendedor cria seu estilo, cada proposta segue um caminho diferente, e toda passagem de bastão vira explicação artesanal. O gestor troca o papel de líder pelo de despachante. Segundo, custo de margem: sem repertório de preço e sem política clara de concessão, desconto vira anestesia para insegurança. Terceiro, custo de moral: quando a meta muda de argumento a cada reunião, o time passa a desconfiar do número — e desconfiança é areia na engrenagem. Quarto, custo de reputação: promessa feita na euforia, entrega feita no sufoco; a conta chega na próxima renovação.

“Você não precisa de mais vendedores — precisa de direção.”

Direção, aqui, tem uma definição objetiva: pipeline legível + critérios por etapa + rituais que não falham. Pipeline legível significa que qualquer pessoa, ao abrir o CRM, entende quantos leads existem, em qual estágio estão, por quanto tempo, e qual é o próximo passo objetivo. Critérios por etapa significam portas com tranca: não avança quem não cumpriu o requisito. Rituais que não falham são a cola: encontros curtos, em ritmo fixo, que transformam dado em decisão e decisão em dever de casa com D+. Parece simples porque é. E por isso quase ninguém protege quando o calendário aperta.

Existe um teste prático para medir desorganização comercial em 10 dias — use sem pedir licença:

(1) Idade de estágio: quantos dias, em média, um lead fica parado em cada etapa? Se você não sabe medir, você já tem um diagnóstico.

(2) Taxa de avanço com critério: qual é o requisito objetivo para sair de “qualificado” para “proposta”, e quantos % dos deals que avançaram cumpriram esse requisito?

(3) Follow-up sem fricção: em quantos casos o próximo passo está escrito em verbo, data e responsável?

(4) Desconto por política vs. por cansaço: quantas concessões foram justificadas por regra e quantas por “se eu não der, ele fecha com outro”?

(5) Reunião que decide: a reunião de pipeline terminou com três decisões e prazos — ou com comentários e desabafos?

Se a maioria dos seus “nãos” virar “talvez”, você está administrando emoções, não processo.

Agora, a parte que todo mundo sente falta: como sair do improviso sem paralisar a operação? A resposta é clareza mínima viável em 21 dias.

Primeiro bloco: renomeie etapas para verbos de evidência (“fez briefing”, “validou o problema”, “orçou com base em escopo”, “negociou condições finais”).

Segundo bloco: defina dois critérios por etapa — um de dados (o que precisa estar registrado) e um de comportamento (o que foi dito/feito e por quem).

Terceiro bloco: duas reuniões fixas e curtas — Pipeline (30’ semanais), pauta em três linhas (dado, decisão, dever de casa), e Ajuste de Oferta (30’ quinzenais), para revisitar propostas-modelo, objeções frequentes e âncoras de valor. O resto é disciplina.

“Crescer no improviso é o que destrói empresas promissoras. A virada acontece quando você estrutura o comercial e assume o comando do seu crescimento.”

Essa virada não é um salto; é uma sequência de microdecisões sem glamour: travar concessões, padronizar follow-up, trocar opinião por evidência, alinhar linguagem, revisar scripts, podar exceções. É nesse chão de fábrica que a previsibilidade nasce. E, quando ela nasce, o time respira. A venda deixa de depender de humor e passa a depender de número.

“Não é o mercado que te trava, é a falta de método.”

Se você precisa de um primeiro movimento hoje, escolha um destes caminhos:

Cortar o ruído: proíba “talvez” em pipeline; cada deal deve ter “avança”, “recua”, “morre” — e por quê. Ambiguidade queima tempo.
Trancar a porta: adote dois critérios de qualificação antes de proposta (problema mensurado + autoridade presente). Vai reduzir volume e aumentar taxa de fechamento.
Reescrever follow-ups: todo próximo passo em frase de uma linha com verbo, data e dono. Se não couber em uma linha, está mal definido.
Voltar às âncoras: encapsule 3 provas de valor (caso, número, depoimento) que antecedem preço. Sem âncora, desconto é inevitável.
Mensurar 3 taxas: avanço por etapa, win-rate por ICP, variação de preço médio pós-concessão. O que você mede, você governa.

Toda virada começa com clareza. Clareza é dizer “isso entra, aquilo sai” antes de o trimestre cobrar a conta. Clareza é admitir que “mais pessoas” não resolve falta de direção. Clareza é aceitar que vender muito e crescer bem são coisas diferentes — e escolher a segunda, mesmo que signifique dizer não para alguns “atalhos” que rendem aplauso no grupo, mas drenam a margem no mês seguinte.

Se você leu até aqui, há uma chance alta de já ter sentido o gosto amargo do improviso que parecia virtude. A boa notícia é que método não exige carisma; exige escolha. E escolha é o que separa empresa ocupada de empresa eficiente. Seu cliente sente a diferença, seu time sente a diferença, o caixa sente a diferença. E, quando todos sentem, a narrativa muda: de “estamos correndo” para “estamos conduzindo”.

No fim das contas, o mercado não premia quem corre mais — premia quem corre no ritmo certo. E ritmo certo só existe quando existe método.

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